Um Passo Adiante: entrevista ao Jornal Metro.

A Fundação Cultural de Curitiba (FCC) tem novo presidente para a gestão do prefeito Gustavo Fruet. O cargo, que equivale ao de secretário municipal da cultura, vai ser ocupado pelo “educador, cineasta, cinéfilo e leitor compulsivo” Marcos Cordiolli, como se autodenomina no Twitter, ferramenta utilizada intensivamente por ele. Cordiolli fala ao Metro sobre seus projetos e enfatiza o desejo de universalizar o acesso à cultura na cidade.
 Marcos Cordiolli Jornal Metro
Como você avalia o trabalho da Fundação Cultural de Curitiba até hoje?
Hoje em dia nós temos uma Fundação que mantém um conjunto bastante variado de equipamentos culturais e realiza uma série de eventos extremamente importantes e significativos.Haverá mudanças com o início da nova gestão?
O que nós queremos agora é dar um passo adiante. A ideia é consolidar um conjunto de políticas estruturantes, fazendo com que a cultura seja estabelecida como uma política pública de longo alcance, descentralizada e ampliando gradativamente tanto a possibilidade de fazer arte quanto a de ter acesso a ela. Em outras palavras, vamos universalizar e dar mais sustentabilidade às políticas de cultura, além de ampliar a participação das pessoas na formulação de políticas públicas.E como essa participação popular vai ser intensificada?
Temos diferentes métodos para isso. O primeiro é o fortalecimento dos mecanismos institucionais, como o Conselho Municipal de Cultura. O segundo está na relação com o fórum das entidades culturais. Uma série atua na cidade e é preciso reconhecer a legitimidade delas por meio de um canal de diálogo que seja direto e permanente. Também esperamos nos aproximar das pessoas que frequentam os equipamentos culturais da Prefeitura e ouvi-las. As demandas da população vão ser objeto das nossas ações de política pública.

A Fundação Cultural promove grandes eventos que mobilizam toda a cidade, como a Virada Cultural. Esses acontecimentos vão sofrer alguma mudança?
Nós vamos apoiar esses eventos de grande porte, como o Festival de Curitiba e a própria Virada Cultural. Também vamos nos focar em eventos que são pequenos mas com potencial de crescimento. A ideia é fazer com que Curitiba volte a ocupar um espaço privilegiado na rota de grandes shows e eventos nacionais e internacionais. Para isso, precisamos melhorar nossa comissão para grandes eventos, já que esses envolvem não só a Fundação Cultural, mas toda a estrutura da Prefeitura. Então é importante ter um conjunto de ações do poder público não só para fortalecer o que existe mas principalmente para expandir outros e atrair ainda mais.

No último ano, eventos como o ‘Réveillon Fora de Época’ e o ‘Carnaval do Largo da Ordem’ chamaram a atenção por terem causado confusão. Como a FCC pretende lidar com mobilizações que são incentivadas principalmente pela participação das pessoas nas ferramentas de mídia social?
Toda expressão cultural é importante. Além do conjunto de eventos institucionais e do mantido pela iniciativa privada, há outros que queremos fomentar. Nós não pretendemos abandonar aquilo que já existe. O carnaval curitibano, por exemplo, que tem um alcance reduzido em relação a outras capitais. Pretendemos mudar isso. Considerando nossa infraestrutura, vamos desenvolver ações que façam com que a sociedade curitibana disponha debons eventos com diversidade e regularidade para que seja possível aproveitar diferentes tipos de expressão artística ao longo do ano todo.

E quem vai pagar a conta? Há orçamento disponível para essas ações ou alguma mudança será necessária?
Nós já temos um compromisso do Gustavo Fruet de estabelecer um padrão de financiamento mínimo necessário para a cultura. Além disso, esperamos atrair mais recursos federais e contamos com uma maior participação dos empresários curitibanos por meio das leis de renúncia fiscal federal e estadual, quando essa for implantada no Paraná. Também vamos ter uma política bastante ágil em relação às instituições privadas para que elas invistam mais em projetos de Curitiba. Há empresas, tanto privadas quanto estatais, que sempre investem em cultura, mas pouco por aqui. Por exemplo, Curitiba não tem um Centro Cultural do Banco do Brasil e empresas como a Vale e a Companhia Siderúrgia Nacional têm pouca participação. Queremos discutir com eles a possibilidade de atrair mais recursos.

Lei a versão original do Jornal Metro

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Sobre Marcos Cordiolli
Marcos Cordiolli é graduado em História (UFPr, 1988) e mestre em Educação: história e filosofia da educação (PUC-SP, 1997). É professor universitário de graduação (desde 1994), de especialização latu senso (em mais 20 IES); de mestrado (em uma IES); atua na qualificação docente (desde 1994 e prestou serviços para mais 50 redes públicas e dezenas de escolas particulares em 18 estados); É consultor em gestão do trabalho pedagógico e proposições curriculares na Educação Básica (com serviços prestados para dezenas de instituições) e Superior (com trabalhos prestados para mais de 20 IES); É palestrante e conferencista (atuou em mais 300 eventos); consultor técnico de publicações didáticas (prestou serviços para mais de uma dezena de editoras) e de sistemas de ensino (prestou serviços para a maioria dos grandes empresas do país); É consultor pedagógico na área de Educação Corporativa (prestou serviços para empresas na área de refino de petróleo e montadoras automotivas). Publicou artigos, livros e materiais didáticos (na área de história, filosofia e geografia para Ensino Fundamental e Médio; teoria curricular e políticas educacionais para a Educação Superior). É cineasta. Produtor Associado do filme O Sal da Terra (Brasil, 2008) de Eloi Pires Ferreira. Diretor de Produção (com Elói Pires Ferreira) de Conexão Japão (Brasil, 2008) de Talício Sirino. Produtor Executivo de Curitiba Zero Grau (Tigre Filmes e Labo). Foi assessor técnico da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados (2010). Foi Consultor ad hoc da relatoria do Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados Foi assessor da diretoria da Agência Nacional do Cinema – Ancine. É Secretário de Cultura da Cidade de Curitiba na condição de Presidente da Fundação Cultural de Curitiba. É presidente do Fórum dos Gestores Municipais de Cultura das Cidades com mais de 500 mil habitantes. É autor de Currículo Escolar: Teorias & Práticas (Editora Melo) É autor de Sistema de ensino e políticas educacionais (Editora IBPEX) Contato: email: marcos.cordiolli@gmail.com fone: +55 (41) 3213-7506 Veja mais: Acompanhe as minhas atividades no Twitter: @MarcosCordiolli Visite o meu currículo na Plataforma Lattes do CNPq Conheça a minha página no Facebook

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